Workshop reúne estudantes em debates sobre “Imaginário Infantil e a Mitopoética Amazônica”

“O Brasil é uma colcha de retalhos: temos a cultura amazônica, a nordestina, a sulista e outras. É a junção disso tudo que torna o país tão diversificado. E é importante a gente aprender sobre cultura, para aprender a valorizar. E que bom que na academia a gente tem essa oportunidade”.

Essa foi a avaliação de Suzana Alves, aluna do 3º semestre de Ciências Sociais da Universidade do Estado do Pará (UEPA), que veio do município de Igarapé-Açu para participar do Workshop de Formação e Reflexão organizado pelo professor Luiz Carlos de Carvalho Dias, que coordena o Grupo de Estudo, Pesquisa e Extensão “Encantados - A Mitopoética Amazônica como Elemento Educativo Socializador”, vinculado à Faculdade de Pedagogia da UFPA em Castanhal.

O Grupo vem realizando, desde 2011, ações de intervenção em comunidades no município de Colares, interior do Pará. “Na Amazônia, temos um palco muito interessante: o das narrativas sobre visagens, encantarias e assombrações. Estéticas poéticas da produção de subjetividades que dão uma ‘alma’ para a floresta, as plantas, os rios, os igarapés e os animais. E nós trabalhamos para preservar esse patrimônio imaterial”, informou o professor Luiz Carlos Dias.

Na programação do Workshop, esteve presente a professora Ana Lúcia Bentes Dias, aposentada pela UFPA, mas que faz questão de continuar atuando como pesquisadora. “Abordamos sobre patrimônio histórico-cultural material e imaterial, memória coletiva, imaginário infantil. Apresentamos materiais como documentários e desenhos e pinturas dos alunos das escolas de Colares/Pa”, contou a docente.

Na sua palestra, a professora Ana Lúcia enfatizou a necessidade de se fazer algo para que as histórias que formam a identidade do povo sejam conservadas. “Por muito tempo a discussão sobre a cultura do homem, do caboclo amazônico ficou esquecida. Acredito que é importante buscarmos abrir o debate para a valorização dessa cultura, inserindo-a no nosso cotidiano e, também na educação, para que isso não se perca.”

A caloura Daniela de Sousa, do curso de Pedagogia, participou do evento e falou sobre como surgiu o interesse pela temática. “Na disciplina de Antropologia, o professor divulgou esse evento para a turma e eu achei interessante a proposta e quis conhecer um pouco mais sobre mitos. É que a gente, antes de entrar na universidade, não vê a mitologia como um conhecimento. Hoje eu entendo que ela não é uma ciência, mas é conhecimento sim. O evento me trouxe uma visão mais abrangente da mitologia como identidade e pretendo participar desse projeto”, destacou a aluna.

Em relação às contribuições para uma futura atuação como Pedagoga, Daniela de Sousa acredita que participar das discussões pode ser bastante produtivo. “O projeto pode contribuir por incentivar a questão do respeito e da compreensão em relação às pessoas com as quais eu vou trabalhar. Aprendi que cada conhecimento nasce através da mitologia, que um conhecimento bebe na fonte do outro. Isso é bem interessante.”

E como a universidade é um espaço de entrelaçamento de áreas, ideias e experiências, os projetos ligados ao Grupo contam com a atuação voluntária do jornalista Anderson Lobato, que atua com a parte audiovisual no projeto. “Eu trabalho na perspectiva de salvaguardar os dados sobre o imaginário amazônico na visão do adulto, mas também na visão da criança, pois ela vivencia todo esse universo numa perspectiva diferente daquela vivenciada pelo adulto ou pelo idoso”, contou o jornalista.

O Workshop contou com a Roda de Reflexão Enredando inter-versões educativas e culturais à salvaguarda do patrimônio imaterial – o imaginário infantil, a memória coletiva e a mitopoética amazônica e com a Roda de Reflexão Registro etnográfico e cartográfico - ética e estéticas em campo. No final da programação foram escolhidos os voluntários que participarão da próxima ação do Grupo de Estudo. Será um workshop na comunidade de Fazenda - Colares/Pa, no período de 08 a 13 de agosto deste ano.

Texto e fotos: Ascom – UFPA/Castanhal

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